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“Carregador de bebês” permitiu evolução de ancestrais humanos

novembro 1, 2010

Folha de São Paulo, 01/11/2010

Darwin estava certo ao dizer que nós evoluímos a partir de criaturas simples. Mas ele estava errado, a meu ver, sobre as causas. De certa forma, nós não nos tornamos naturalmente inteligentes o bastante para inventar a tecnologia da qual dependemos. Em vez disso, a tecnologia nos fez evoluir.

O início da era tecnológica há 2,5 milhões de anos é marcado arqueologicamente pelo primeiro artefato de pedra lascada. Depois disso, o processo de seleção natural e sobrevivência do mais forte foi prejudicado; humanos inteligentes com armas podiam matar animais mais fortes que eles. O fato de nossos ancestrais evolutivos terem começado bem longe do topo da cadeia alimentar é ilustrado pelo fóssil da criança Taung, os restos de um hominídio criança que, há cerca de 2,6 milhões de anos, foi provavelmente estripado e carregado por uma águia. Como esses ancestrais passaram de símios à civilização, descartando seus caninos massivos e imensa massa muscular, sobrevivendo num ambiente hostil?



A resposta é uma nova e radical tecnologia: o “baby sling”, ou carregador de bebê, uma solução bem mais inteligente para carregar bebês do que levá-los nos braços. Isso, eu concluí, permitiu uma expansão radical no tamanho do cérebro de nossos ancestrais, que começou há cerca de 2 milhões de anos.



O uso de ferramentas de pedra, antes disso, já havia conferido alguma vantagem intelectual a nossos ancestrais, reduzindo a necessidade de força física e permitindo que mais energia fosse usada no desenvolvimento da inteligência. Mas andar sobre duas pernas – que liberou as mãos dos primeiros hominídeos – também teve um efeito contraditório sobre o desenvolvimento humano, porque isso exigia uma pélvis mais estreita para agir como uma plataforma estável para a coluna vertebral ereta. Isso, por sua vez, estabeleceu um limite máximo para o tamanho da cabeça no nascimento. Então todo tipo de inteligência interativa – a habilidade com as mãos – foi encorajada, e qualquer expansão relacionada à expansão do cérebro apresentava um grande problema.



Darwin argumentou que as fêmeas teriam valorizado parceiros mais inteligentes, impulsionando a ascensão do macaco ao Homo através da seleção sexual. Mas as fêmeas provavelmente experimentavam partos cada vez mais perigosos (por causa das demandas conflitantes de uma pélvis menor e das cabeças maiores dos bebês). Em termos evolucionários, o cérebro humano é uma desvantagem: uma característica com muitos custos, vulnerável e ineficiente energeticamente.



O fato de nossos ancestrais passarem a andar sobre duas pernas tornou mais difícil para os bebês se agarrarem a suas mães – assim como o fato de que provavelmente eles tinham bem menos pelos no corpo do que seus ancestrais parecidos com macacos – então a pressão sobre os primeiros bípedes para encontrar uma solução para carregar os bebês deve ter sido intensa. Usar um “carregador” é um conceito compreensível para chimpanzés, mas é necessário um pouco mais de inteligência do que eles têm – ou um golpe de sorte – para inventá-lo. É provável que os “slings”, tanto para lançar projéteis quanto para carregar bebês, tenham sido inventados no período das primeiras tecnologias da idade da pedra – o que significa que eles são anteriores (e provavelmente permitiram) a emergência de cérebros maiores que caracterizaram a aparição do gênero humano, Homo. Sabemos, afinal de contas, que as rochas eram usadas para cortar carne há 3,2 milhões de anos, e que há 2,6 milhões de anos elas foram deliberadamente moldadas na forma de ferramentas em vez de simplesmente coletadas para o uso. Isso assinala não só o início da criação de ferramentas de acordo com desenhos padrão para propósitos específicos, mas também a “sucessão” em que a tecnologia se torna interligada, com a fabricação de uma ferramenta para criar outra.



As implicações da tecnologia do “sling” são imensas. Os slings permitem que o estágio fetal seja estendido depois do nascimento – como com os marsupiais como os cangurus – permitindo que o cérebro continue se expandindo fora do útero, e num ambiente cada vez mais cultural. Depois disso, o rápido desenvolvimento da tecnologia para os primeiros humanos pode bem ter sido impulsionado por uma competição agressiva entre diferentes grupos que utilizadores de tecnologias.



Em termos de cérebro humano, o ápice aconteceu há cerca de 40 mil anos. A pressão sobre o órgão existiu desde que começamos a expressar a inteligência sob forma de linguagem, escrita e, agora, máquinas. Hoje, nossa tecnologia está se tornando tão sofisticada que o que emergirá no futuro pode nem mais ser controlado por nosso própria vontade.



Isso pode ser uma boa coisa. São os efeitos inesperados da tecnologia que costumam ter o maior potencial. De fato, a própria ideia de nossa humanidade existir em oposição à nossa tecnologia é errada. Como o filósofo John Gray argumentou certa vez: “Pode ser que a maior semelhança entre os humanos e as máquinas que eles estão inventando agora esteja em sua capacidade para a consciência”. A tecnologia tem a capacidade de ignorar o tempo e durar indefinidamente na forma física. Ela também pode destruir nosso planeta. Mas não há uma solução de volta à natureza. Nunca houve uma para o macaco artificial.
in Folha de São Paulo, 01/11/2010
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meamarronumcolo no site da pais&filhos

agosto 19, 2009

Os carregadores de bebês voltaram à moda. Descubra a importância do colo e a origem do sling

por Deborah Trevizan, mãe da Isadora e do Pietro

Nascer deve ser um tremendo susto. Dentro do útero, aconchegado e embalado 24 horas por dia, o bebê não precisa fazer nada para conseguir o que quer: comer, dormir… Está tudo lá. Do lado de fora, começa uma verdadeira batalha. Daí, só chorando mesmo.

Qual a mãe que nunca ouviu, em forma de conselho, que seu filho está ficando muito no colo, que vai ficar mal acostumado e manhoso? Às vezes, até os próprios médicos aconselham a não atender nossas crias assim tão prontamente, tirando do berço ao primeiro sinal de desconforto, com o perigo de torná-los dependentes demais.

No livro o Bebê mais Feliz do Pedaço, o pediatra norte americano Dr. Harvey Karp conta a história de uma tribo no deserto de Kalahari, na África. Na tribo Kung, as mães carregam seus filhos por quase 24 horas, diariamente. Isto mesmo: andam, trabalham, comem, dormem sempre com os filhos grudadinhos, amarrados ao corpo por meio de uma tira de couro. Cientistas passaram algum tempo observando os hábitos da tribo e em relação aos bebês fizeram uma interessante observação: eles nunca choram ou, pelo menos, não choram desesperadamente como muitos bebês. Será que é uma coincidência ou eles são mais calmos por continuarem a ter seus desejos e necessidades satisfeitos imediatamente após o nascimento?

Mães asiáticas, africanas e da América do Sul sempre privilegiaram o contato com o bebê e carregam suas crias para cima e para baixo em cangurus e carregadores (vale até lenços amarrados). Estas mães serviram de modelo para que diversos tipos de carregadores de bebês surgissem. A idéia se espalhou pela Europa, EUA e chegou ao Brasil: cada vez mais mulheres usam slings, wraps, fast wraps, mei tais e cangurus. Há até um termo usado nos EUA para estes carregadores: babywearing, criado pela família do Dr. Sears, renomado médico que comprou a idéia do carregador de bebês moderno, com a incorporação de um par de argolas no lugar do tradicional nó. Segundo o conceito do Dr. Sears, o sling é o instrumento, mas o objetivo principal é o colo.

Este costume chegou ao Brasil por meio de mulheres que tiveram contato com carregadores estrangeiros e o sling tem sido o preferido entre as brasileiras. Nosso toque foi dado com estampas, cores e tecidos leves. A pioneira na fabricação brasileira foi Analy Uriarte, mãe de Teodoro, Bruna e Frederico, desde 2003. Em 2007, Analy abriu a Sampasling com mais duas sócias. Ela conta que começou a fabricá-los para promover o babywearing, quando seu primeiro filho nasceu, há oito anos.

Naquela época, as pessoas estranhavam ao ver o menino pendurado junto ao corpo da mãe. Três anos depois, quando a segunda filha nasceu, as coisas foram diferentes. “Existe uma desconfiança inicial, mas depois passa. O bebê quer colo mesmo e a mãe precisa usar os braços. Acho que o sling ficou adormecido, mas não esquecido”, afirma Analy, lembrando que hoje já virou moda entre famosas. Atualmente, Analy está radicada no Paraguai e promove um trabalho social para divulgar o babywearing.

Movimento mundial

A onda virou um movimento mundial: no ano passado, aconteceu a primeira Semana Mundial do Babywearing. Mães de todo o mundo se reuniram com seus bebês a tiracolo. Em São Paulo, um grupo de mulheres também se organizou em um evento no Parque da Água Branca, zona oeste da cidade, com o nome de “Me amarro num colo”.

A educadora Elly Chagas, mãe de Caetano, foi umas das organizadoras e esteve à frente do evento em São Paulo. “Procuramos destacar uma postura mais humanizada na relação entre mãe e bebê”. Ela conta que o evento teve a pretensão de ser apenas simbólico, mas se mostrou bem efetivo. Mães que não conheciam o babywearing apareceram e as mulheres presentes conversaram sobre a relação mãe-bebê e a importância do colo. “Quem participou saiu diferente”, afirma.

A teoria de que os bebês ficam mimados ou dependentes do colo é rebatida no livro O Bebê mais Feliz do Pedaço. Segundo o autor, mesmo se um bebê ficasse no colo por 12 horas ao dia, não poderia ser considerado um excesso, pois já seria uma redução de 50% do que ele desfrutava no útero, 24 horas.

O carrinho é um lugar confortável e prático para mães e bebês, mas nem sempre é a melhor opção. Uma pesquisa feita pela Universidade de Dundee, na Escócia, analisou mais de 2.700 grupos de pais e filhos: os pais que empurravam seus filhos no carrinho em posição de costas conversavam menos com a criança, que geralmente ficava estressada. Por outro lado, bebês e crianças levadas de frente para quem as conduziam ficaram mais propensas a falar, rir e interagir. Ou seja, a atenção não faz mal e o colo é a forma mais natural de dar conforto e amor ao bebê, do mesmo jeitinho que era dentro do útero.

Para o pediatra Carlos Eduardo Corrêa, filho de Victor e Sylma, não existe mimo em relação à criança com menos de um ano. “Carente fica quem não tem”, diz ele. “É incoerente pensar que o certo é afastar o bebê da mãe, como acontecia desde o nascimento nos hospitais. Hoje, a maioria das instituições já adota o alojamento conjunto”, explica. Segundo o médico, seguimos uma tendência européia de evitar o contato físico. Ele ainda explica que estas regras impostas pela puericultura, divisão da medicina que trata de bebês, é algo que vem em um “pacote” de regras, aprendido pelos médicos em sua formação. Colocar hora e tempo para mamar, por exemplo, sugere uma rotina que não há razão para ser seguida por todos, pois cada família tem seu ritmo.

A psicóloga e psicopedagoga Eliana de Barros Santos, mãe da Mariana, da Rebeca e Laerte, concorda que dar colo é se entregar. “A mãe que não está disponível não exerce a maternidade em sua plenitude”, afirma. Foi esta entrega à maternidade que motivou a professora de dança Tatiana Tardioli, mãe de Nina, a carregar sua filha para o trabalho, auxiliando outras mães neste período. Ela dá aulas de dança para mães e bebês na Casa Materna, em São Paulo, utilizando carregadores. “Eu dancei e dei aulas de dança durante toda a gravidez da minha filha. A doula que acompanhou meu parto sugeriu que eu lecionasse para mães e bebês ao mesmo tempo, mostrou como funciona este tipo de aula fora do Brasil. Aí criei a proposta do curso, somando minha experiência, conhecimentos sobre o corpo e cuidados com o bebê.”

Afinal, qual é o problema em relação ao excesso de colo? “O colo deixa de ser saudável quando impede o desenvolvimento físico”, diz Eliana. Em outras palavras, só não vale sufocar a criança e impedir seus movimentos. A pediatra Elga Castanheira, mãe do Rodrigo, do Ricardo, da Renata e do Rafael, afirma que qualquer excesso não é bom. “Houve uma época em que o colo e outras atitudes de cuidado com os bebês foram consideradas cuidados extremos e desnecessários. Isto felizmente já mudou e atualmente sabe-se que o carinho é fundamental para o desenvolvimento da criança. A amamentação não é feita no colo?”, completa.

trocando experiência


Mãe canguru

Outra prova de que colo faz bem é o método conhecido com Mãe Canguru, muito utilizado com bebês prematuros. O Método Mãe Canguru foi inicialmente desenvolvido em maternidades da Guatemala onde a falta de incubadoras fez com que pusessem os bebês dentro das roupas das mães para mantê-los aquecidos. Desde então tem demonstrado beneficiar muito recém-nascidos permitindo que eles regulem melhor seu ritmo cardíaco e sua respiração, melhorem o sono, cresçam mais depressa e com menos choro e recebam alta antes dos prematuros que não usaram o método.

Tipos de carregadores

Sling: “Slingar” um bebê é transportá-lo junto ao corpo, sustentado por meio de uma faixa. Há slings que funcionam como uma “rede”, inteiros, onde os bebês se acomodam. Outros têm argolas e podem ser ajustados.

Wrap: É um pano que tem de 4 a 6 metros de comprimento e é amarrado dependendo da forma em que o bebê é colocado. Ele pode ser carregado na frente ou de costas, com uma boa distribuição de peso.

Fast Wrap: Uma variação do wrap. Prático para passeios ou uso domiciliar. Não tem fivelas, zíperes, nenhum ajuste e vem em 5 tamanhos. Dá para carregar o bebê em várias posições: na frente, nas costas ou de lado, dependendo da idade e do desenvolvimento. Quando a criança dorme, é só puxar o tecido para apoiar a cabeça.

Canguru: é o mais tradicional. É como se fosse uma cadeirinha com fivelas reguláveis. Pode ser usado na frente ou nas costas de quem o leva. A posição do bebê também pode variar entre virado para quem o carrega ou de costas.

Mei Tai: Com origem na Ásia, seu formato pode ser quadrado ou retangular e tem alças em cada canto, que são amarradas na cintura e passam pelos ombros e costas. A professora de inglês Heather Allan da Silva, mãe de Emily, Anna Elisa, Luca, Logan e grávida do Leo, usa muito o Mei Tai. “A vantagem é poder colocar bebês maiores com apoio nos dois ombros, mas mantendo as pernas em uma posição que não sobrecarrega a coluna da mãe.”

http://revistapaisefilhos.terra.com.br/

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Taiwan, ilha formosa de babywearing

março 15, 2009

2421015823_d7e08dd2cf_o“Group of the Kwei-ying clan, N. W. Formosan mountains.” From sketches by R. Swinhoe. 1863. Robert Swinhoe, “Notes on the ethnology of Formosa,” 1863 paper read before the Ethnological Society, after p. 16.

2421015513_c7438be861“Pepo-hoan woman and child.” in Reclus, 1884, Reclus, Elisée. “Formosa.” The earth and its inhabitants. Asia. Vol. II, East Asia: Chinese empire, Corea, and Japan. Edited by A. H. Keane. New York: D. Appleton, 188, p. 282.

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um trecho da história do sling no Brasil, una persona

janeiro 4, 2009

Por Ana Cristina Duarte

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Analy Uriarte (foto) foi a primeira pessoa a fabricar slings no Brasil, divulgar a idéia e vestir a camisa.
Para além de divulgar, deu colo para mães assustadas, fez slings de madrugada, entregou pessoalmente mais de 200 slings em 6 anos e enviou muitos pelos correios…
Emprestou sua casa todo primeiro sábado do mês durante anos, oferecendo dicas, conselhos e acolhendo centenas de mães, pais e bebês num encontro denominado slingada.
Não é só fabricar ou vender que faz uma idéia dar certo. É preciso acreditar profundamente na idéia e ter um imenso prazer naquilo que faz.

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Para quem gosta de colo, DIARIAMENTE!

janeiro 3, 2009

Bons momentos de nosso encontro de babywearing

2008

no Parque da Água Branca


NOS CRÉDITOS DO VÍDEO NÃO CONSTAM POR ERRO DE EDIÇÃO, MAS QUEREMOS DESTACAR A PARTICIPAÇÃO DE:
ALÊ MATOS&GABI+AVÓ BABONA
MARIANA&CATARINA

EQUIPE IDEALIZADORA

Ana Basaglia
Analy Uriarte
Elly Chagas
Fabíola Cassab
Flávia Gontijo
Gabriela Reis
Heather Allan
Ligia de Sica
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Depoimento de um pai

dezembro 9, 2008
Depoimento de Adelson Góis, pai de Tainara que slingou pela primeira vez no nosso encontro de 2008:
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jutai
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Meu primeiro contato com o sling, foi ver uma amiga usando, achei lindo e me parecia bastante confortável para o bebê. O meu segundo contato foi quando fui em busca de um para a mamãe Juliana e para a Tainara, meu bebê. Creio que buscava um presente que seria bonito para a Juliana e poderia proporcionar um conforto para uma longa caminhada de uma vida inteira juntas. Aí começou a cair uma ficha que o sling era mais que um pano bonito. Essa santa rede para mim era a entrada, uma porta, um contato com um conjunto de mulheres que encaram a maternidade de uma outra forma, querem ter seus filhos de parto normal, querem amamentá-los pelo maior tempo possivel, querem carregar seus filhos no colo, juntos confortáveis … Pensam e vivem uma nova forma de encarar a maternidade.
Isso me encantou … Me encanta ver a Juliana passeando com seu sling, ver a nossa pequena dormindo calma e tranquila, ver a possibilidade construida por um conjunto de mães de ir pro cinema, e de conversarem sobre a maternidade, a amamentação, sobre o futuro que se constrói agora. E para mim o encontro babywearing foi a síntese desse momento. Fomos com o intuito, de entender o que é isso. Lá encontrei amigas, mães que participavam, mães que passavam por ali e ali ficaram. Me senti numa comunidade, resgatando da nossa cultura indigena ancestral essa forma de carregar nossas filhas e filhos e mais que isso, como a tribo se sentia responsável pela educação, e pelo bem estar de todas crianças.
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E aconteceu!

dezembro 9, 2008

E nosso sábado 15 de novembro foi de uma beleza rara!

Teve gente que foi sem saber, mas foi essencial.

Teve quem foi aprender a usar o babywearing sling.

Teve a presença de pais que apóiam e usam slings.

Teve a participação simpática de avós e tias.

Confira algumas imagens:

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